Criadora do Cooking and Nature Emotional Hotel
Há projetos que nascem de uma ideia e outros que nascem de uma visão mais ampla sobre o impacto que podem ter na vida das pessoas. A conversa com a Rita Anastácio parte exatamente desse lugar: olhar para a alimentação não apenas como um serviço dentro da hotelaria, mas como uma experiência com potencial transformador.
No Cooking and Nature, o hóspede deixa de ter um papel passivo e passa a ser convidado a participar ativamente no processo. Cozinhar, tocar nos alimentos, perceber as suas combinações e técnicas, tudo isto acontece com a orientação de um chef, num ambiente pensado para ser simultaneamente acolhedor e educativo.
A cozinha deixa de ser apenas um espaço funcional e transforma-se num ponto de encontro com a comida, com os outros e, muitas vezes, consigo próprio. Este conceito, profundamente didático e sensorial, aproxima as pessoas daquilo que tantas vezes se perde na rotina: a consciência do que comemos e de como nos relacionamos com os alimentos.
Enquanto nutricionista, vejo nesta abordagem algo que vai muito além da experiência gastronómica.
Vejo educação alimentar na prática, porque aprender a comer não acontece apenas através de planos alimentares, recomendações ou informação teórica. Acontece quando escolhemos os alimentos, quando compreendemos a sua origem, quando participamos na sua preparação e quando criamos uma relação real e próxima com aquilo que colocamos no prato. É neste envolvimento que a nutrição ganha profundidade e significado.
O percurso da Rita Anastácio reflete também aquilo que é, na sua essência, o espírito empreendedor: a capacidade de criar algo novo, combinando risco com criatividade, e de cruzar diferentes áreas de forma coerente. No Cooking and Nature existe esse encontro entre alimentação, natureza e hospitalidade, onde o design paisagístico sustentável não é apenas um elemento estético, mas parte integrante da experiência. A comida deixa de ser apenas consumida e passa a ser vivida.
Esta conversa reforça uma ideia que também está na base do meu trabalho como nutricionista e criadora das Ciências na Cozinha: não precisamos de comer de forma perfeita, precisamos de nos relacionar melhor com a comida. E essa relação constrói-se, muitas vezes, fora do consultório, na cozinha de casa, nos momentos partilhados em família ou em experiências que nos convidam a abrandar e a estar presentes.
Talvez este seja também um convite a voltar à cozinha com mais intenção e menos pressão, a envolver as crianças no processo, a simplificar e a redescobrir o prazer de preparar uma boa refeição. Porque cozinhar não é apenas uma tarefa do dia a dia, é uma oportunidade de criar ligação, de educar de forma natural e de construir uma relação mais consciente e equilibrada com a alimentação, lembrando sempre que Crescer bem começa à mesa.