O papel do psicólogo em contextos de vulnerabilidade
A alimentação de uma criança começa muito antes do prato. Começa no olhar atento de quem cuida dela, na disponibilidade e na responsabilidade.
Entrevistei uma psicóloga que trabalha numa instituição de acolhimento de crianças e jovens, onde falámos sobre o papel dos pais na alimentação dos filhos, e a conversa foi mais profunda do que apenas alimentos e horários das refeições.
O psicólogo é um profissional de saúde mental que atua em diferentes contextos, mas numa instituição de acolhimento, o seu papel é ainda mais sensível:
- Avaliar o estado emocional e o desenvolvimento da criança.
- Compreender as dinâmicas familiares.
- Identificar situações de negligência ou risco.
- Planear intervenções que promovam segurança, estabilidade e crescimento saudável.
- Preparar, sempre que possível, a reintegração familiar ou social.
As instituições de acolhimento existem quando todos os outros recursos falharam e são uma resposta social necessária, mas nunca desejada como primeira opção.
O que mais me marcou nesta entrevista foi ouvir que, em alguns casos, a falha na alimentação não acontece por falta de recursos financeiros, acontece por ausência de completos cuidados básicos.
A negligência alimentar é uma forma de violência silenciosa. Precisamos de ter coragem para dizer que
alimentar uma criança não é apenas fornecer calorias. É garantir regularidade, assegurar qualidade e proteger.
Enquanto nutricionista, muitas vezes falamos de padrões alimentares, de dieta mediterrânica, de qualidade nutricional, mas nada disso faz sentido quando o básico não está garantido: comida suficiente, adequada e estável.
A alimentação é uma das expressões mais primárias de vinculação, quando falha repetidamente, a criança aprende algo como “não sou prioridade” e isso marca o desenvolvimento emocional, cognitivo e até metabólico, porque o corpo guarda a escassez e o sistema nervoso aprende a viver em alerta.
Falar sobre o papel dos pais na alimentação não é falar de perfeição é falar de responsabilidade.
Como sociedade, precisamos de apoiar famílias vulneráveis, mas também precisamos de nomear a negligência quando ela existe.
“A negligência parental passa pela falta de completos cuidados básicos”
“Um pai que não tem interesse em alimentar o seu filho é um pai negligente”
“Uma equipa multidisciplinar vai ajudar os pais a ajudarem as crianças a crescerem da melhor forma possível”